Trocando o Marketing Político por uma Quinta produtora de vinho

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O Marketing Político é uma atividade aceita e reconhecida mundialmente como um ramo da área de comunicação. Aqui no Brasil, entretanto, tornou-se um meio de ganho fácil de bandidos, ou de oportunistas.

Como um pioneiro do tema (desde 1.976) afirmo isso com muita tristeza, mas com a consciência tranquila por ter feito centenas de trabalhos, muitos deles de repercussão nacional, e poder passar ao largo da Lava Jato e afins, sem nenhuma citação, nenhuma denúncia.

Minha última atuação foi tentar ajudar o governo Temer na área de Comunicação, participando de um grupo de assessoria ao próprio Presidente, do qual me desliguei por avaliar e não concordar com os rumos inconsequentes e equivocados que a comunicação governamental tomava.

Há muito tempo compenso a sazonalidade do Marketing Político, com atividades menos “perigosas”, criando e dirigindo restaurantes e hotéis como o Dona Carolina, no interior de São Paulo. Ali também desenvolvi uma cachaça que chegou a ganhar prêmios internacionais. Minha paixão pelo vinho ultrapassava as taças do jantar e cheguei a fazer exposição do produto, em associação com a World Wine.

Nos últimos anos comecei a pensar e a procurar uma oportunidade para produzir um vinho próprio. Andei pela Serra Catarinense, Chile, Argentina e Uruguai sem encontrar o caminho desejado.

Portugal no caminho

Dizia-se antigamente, com doses de maldade, que Portugal era um País muito interessante, “pois ficava pertinho da Europa”.

Hoje é bem diferente. A crise econômica, que atingiu todos os países da região, está sendo controlada com medidas de austeridade e há avanços significativos. O endividamento mantém-se estável, o PIB cresce e o desemprego decresce nos últimos três anos. Faz-se a lição de casa, acompanhada pelo comprometimento da população.

Na prática (junto com a esposa Fernanda Zuccaro) o que vimos nos últimos meses, rodando mais de 5 mil km pelo interior, na busca de uma pequena Quinta produtora de vinho, foi uma situação de dar inveja a brasileiros meio desesperançados com os rumos do seu País.

Aliás, as rodovias portuguesas estão primorosas: desde as autoestradas, até as pequenas vicinais do interior. Claro que houve denúncias de superfaturamento. Sem desculpar o crime, pelo menos lá o resultado real é admirável.

E em áreas sociais, sempre problemáticas, presenciamos episódios exemplares na educação e saúde. O filho de 13 anos de um empresário casado com uma advogada brasileira estuda em escola de nível excelente… e pública. Ali convive com o filho de um imigrante desempregado, de um trabalhador da periferia e por aí vai.

Sentimos na própria carne essa questão da oportunidade e atendimento para todos. Vítima de um pequeno acidente na cidade do Porto, acabei com um corte superficial na cabeça e outro mais profundo na mão. Fui atendido e devidamente costurado no pronto socorro do Hospital São João, o mais próximo. Tudo nota dez, segundo a revisão que fiz ao chegar de volta ao Brasil. Nada pagamos, nem aceitaram o nosso seguro – o hospital é público. Nas seis horas que lá permanecemos presenciamos o mesmo cuidado e a mesma atenção com pessoas de todo tipo.

Uma nova surpresa veio quando fizemos uma oferta para comprar uma Quinta à venda, na maravilhosa região do Douro. Nossa proposta foi oficializada por escrito para ser apresentada aos proprietários de duas áreas vizinhas. De início achamos meio estranho, mas acabamos entendendo as intenções contidas nesse fato:

  • Obter um preço justo;
  • Pelo mesmo valor, quem já está na região e quer crescer, tem preferência na compra;
  • Mas principalmente esse procedimento evita o “por fora”, já que, se o valor oficial for muito baixo, o vizinho compra.

Não é atoa que encontramos por lá vários franceses de Bordeaux buscando oportunidades para comprar terras. O vinho da região não fica a dever nada aos grandes produtores mundiais.

É o Portugal moderno, atual, absolutamente europeu! É para lá que vamos começar vida nova, à beira de uma vinha e de um olival.

Estrategista e Consultor em Marketing Político e Institucional Chico Santa Rita é jornalista e publicitário. Criou Versão dos Fatos baseado na experiência de quase 50 anos de trabalho nas várias áreas da Comunicação. São Análises descomprometida da realidade brasileira.

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